Super Bowl LX: quando o show virou manifesto cultural e movimentou o turismo global
O Super Bowl nunca foi apenas uma final esportiva. É palco, vitrine e símbolo de poder cultural. Mas em 2026, o intervalo ultrapassou o entretenimento: tornou-se declaração identitária.
Bad Bunny não subiu ao palco apenas como artista. Ele entrou como representante de uma cultura.
O artista que transformou o palco em território
Primeiro latino solo a comandar praticamente todo o show em espanhol, Bad Bunny levou ao Levi’s Stadium uma estética caribenha, urbana e política. Não foi um espetáculo neutro. Foi carregado de referências visuais, ritmo latino e afirmação cultural.
Cantar em espanhol no maior evento esportivo dos Estados Unidos é, por si só, um gesto simbólico. Em um país onde o debate migratório e identitário é constante, a escolha do repertório e da narrativa visual não passou despercebida.
O resultado? Um dos intervalos mais assistidos da história com picos de audiência que superaram o próprio jogo.
Cultura como protesto
O show foi interpretado por muitos como um protesto cultural não no formato tradicional de discurso direto, mas na ocupação de espaço.
Ao colocar a música latina no centro do maior espetáculo esportivo americano, o artista fez algo maior do que entreter: ele reposicionou o imaginário coletivo do que é “mainstream”.
Houve críticas. Houve elogios. Houve polarização.
Mas houve, principalmente, debate.
E quando há debate, há relevância.
O impacto além da música: turismo e economia
Eventos como o Super Bowl são verdadeiros motores econômicos. Santa Clara, na Califórnia, recebeu milhares de turistas nacionais e internacionais. Hotéis lotados, restaurantes com filas, experiências paralelas, ativações de marcas, eventos privados.
Mas o impacto não ficou restrito à cidade-sede.
A repercussão global do show impulsionou buscas por:
• Destinos ligados à cultura latina
• Festivais de música urbana
• Eventos esportivos internacionais
• Experiências imersivas em grandes espetáculos
A NFL entendeu algo que o turismo já sabe há muito tempo: entretenimento vende destino.
O Super Bowl não promove apenas o futebol americano. Promove a cidade, a infraestrutura, a hospitalidade e a capacidade de sediar grandes eventos.
E quando o show tem identidade cultural forte, ele amplia o alcance turístico para novos públicos.
Esporte, identidade e experiência
Hoje, viajar para assistir a um grande evento esportivo virou tendência. O chamado sports tourism cresce ano após ano. Pessoas cruzam fronteiras para viver experiências únicas — não apenas assistir ao jogo, mas participar da atmosfera.
O show de Bad Bunny reforçou isso: o Super Bowl deixou claro que é um evento multicultural.
E isso dialoga diretamente com o turismo contemporâneo, que busca experiências autênticas, diversidade e narrativa.
O novo luxo é pertencer
O intervalo do Super Bowl LX mostrou que o entretenimento pode ser ferramenta de representatividade.
E mostrou também que grandes eventos esportivos são, cada vez mais, plataformas culturais.
Para o turismo, isso é ouro.
Porque quando cultura e espetáculo se encontram, o destino deixa de ser apenas geográfico ele vira emocional.
E é exatamente isso que move multidões.